Docentes da Faculdade de Medicina participaram da maior conferência mundial sobre HIV, realizada no Rio de Janeiro.

O SAE Infectologia do HU-FURG também integrou um importante estudo multicêntrico brasileiro apresentado durante o evento.

A Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) esteve representada na 26ª Conferência Internacional sobre AIDS (AIDS 2026) pelos professores Rossana Basso e Raphael Pires. Realizado entre os dias 26 e 31 de julho, no Rio de Janeiro, o evento promovido pela International AIDS Society (IAS) reuniu pesquisadores, profissionais de saúde, gestores, representantes da sociedade civil e comunidades de diversos países para discutir os avanços científicos e os desafios para o enfrentamento da epidemia de aids.

Com o lema "Rethink. Rebuild. Rise." (Repensar. Reconstruir. Avançar.), a conferência reforçou que o futuro da resposta ao HIV dependerá da capacidade de transformar inovação científica em acesso, fortalecer a equidade e ampliar o protagonismo das comunidades.

Participação da FURG e destaque em pesquisa multicêntrica

A professora Rossana Basso, chefe do Serviço de Atendimento Especializado em Infectologia (SAE Infectologia) do Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Jr. (HU-FURG/Ebserh - HU BRASIL), participou da programação científica da AIDS 2026 e integrou o grupo de autores do estudo multicêntrico brasileiro ARDOL.

Coordenada pelo Dr. Ricardo Sobhie Diaz, da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), a pesquisa contou com a participação de seis centros brasileiros de referência em HIV — entre eles o SAE Infectologia do HU-FURG — e confirmou a elevada eficácia do esquema de primeira linha composto por tenofovir, lamivudina e dolutegravir (TLD), reforçando as recomendações do Ministério da Saúde para o tratamento inicial da infecção pelo HIV.

Já o Professor e TAE Médico Raphael Pires participou da conferência como autor do trabalho "Who Is Left Behind? Disparities in PrEP Loss to Follow-Up Using National Program Data in Porto Alegre, Brazil (2022–2025)", que analisou as desigualdades na descontinuação da profilaxia pré-exposição (PrEP) em Porto Alegre a partir de dados do programa nacional.

Inovações científicas e cenários globais

Além da apresentação de pesquisas, a AIDS 2026 destacou importantes avanços científicos, como os medicamentos injetáveis de longa duração e o desenvolvimento de esquemas terapêuticos orais de administração semanal, tecnologias que prometem ampliar as opções de tratamento e prevenção da infecção pelo HIV.

A cerimônia de abertura contou com a participação de importantes lideranças da resposta global ao HIV, entre elas o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus; a diretora executiva do UNAIDS, Winnie Byanyima; a presidente da AIDS 2026 e da IAS, Beatriz Grinsztejn; o diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Jarbas Barbosa; e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Em seu discurso, Tedros destacou que o mundo vive um momento decisivo e que os avanços científicos tornam possível vislumbrar o fim da aids como problema de saúde pública. No entanto, alertou que os recentes cortes no financiamento internacional ameaçam reverter conquistas históricas.

A pauta do financiamento também foi abordada pelo diretor do Departamento de HIV, Hepatites Virais, Tuberculose e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde, Dr. Aurélio Barreira, que ressaltou que o verdadeiro desafio não é apenas desenvolver novas tecnologias, mas garantir que elas estejam disponíveis para quem mais precisa. Na mesma linha, o ministro Alexandre Padilha sintetizou: "Inovação sem acesso é injustiça", reforçando a integração necessária entre ciência e políticas públicas.

Equidade e protagonismo social

Outro grande eixo da conferência foi a equidade, evidenciando que diferentes populações enfrentam barreiras distintas para acessar os serviços de saúde.

Um dos momentos mais marcantes foi a participação do ativista Jean Vinicius Oliveira, que defendeu o protagonismo das pessoas vivendo com HIV e das populações-chave, destacando a urgência de abandonar a romantização da resiliência e fortalecer a resistência em defesa dos direitos e da justiça social.

Para os professores Rossana Basso e Raphael Pires, a principal mensagem deixada pela AIDS 2026 foi clara: ciência, comunidades e políticas públicas precisam caminhar juntas.