MANUAL DE APLICAÇÃO
MÓDULO 1 - INTRODUÇÃO À MEDICINA
ATIVIDADE CURRICULAR INTEGRADA (ACI)
RELAÇÃO MÉDICA
INTRODUÇÃO:
A Universidade Federal do Rio Grande -FURG é reconhecida nos meios acadêmicos nacionais e internacionais, especialmente pela produção do conhecimento vinculado ao meio ambiente costeiro. O Projeto Político-Pedagógico da FURG, aprovado pelo Conselho Universitário em 19 de dezembro de 2003, ao apresentar os objetivos institucionais assinala:
“O ensino, a pesquisa e a extensão são as atividades fim desta Instituição e buscam, de forma indissociável, criar condições para que os egressos sejam participantes, criativos, críticos e responsáveis, diante dos problemas atuais da sociedade, tornando, assim, a Universidade mais voltada para os problemas nacionais, regionais e comunitários, propagando e aumentando o patrimônio cultural da humanidade.
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Assim, a FURG tem como objetivos (Resolução CONSUN 014/87): buscar a educação em sua plenitude, desenvolvendo a criatividade e o espírito crítico e propiciando os conhecimentos necessários á transformação social; formar seres humanos cultural, social e tecnicamente capazes; promover a integração harmônica entre o ser humano e o meio ambiente.”
O momento sociológico mostra que não basta oferecer a formação profissional nos cursos de graduação, pois o desenvolvimento de novas tecnologias tem tornado obsoleto, rapidamente, o conhecimento adquirido. Portanto, a Universidade deve desenvolver nos seus alunos a capacidade de autoaprendizagem, qualificando-os para buscar a atualização científica de modo permanente. Mesmo assim, a Universidade deve ir além da qualificação essencialmente técnica e reprodutora do modelo científico tradicional, dotando seus egressos de um valor transcendente, a ética, capaz de orientar seu desempenho profissional, suas relações pessoais e sua compreensão de sociedade. Atendendo a essas premissas, a Universidade tem, efetivamente, uma educação de qualidade.
A Faculdade de Medicina do Rio Grande foi fundada em abril de 1966. Em 1969 foi criada a FURG e, posteriormente, em 1971, a Faculdade de Medicina passou a integrar a Universidade. Portanto, esta é 46ª turma a ingressar na Faculdade de Medicina, e a 12ª a cursar o novo modelo acadêmico plenamente adequado às diretrizes curriculares. As características deste currículo precisam ser conhecidas em todas as suas especificidades, especialmente, o modelo pedagógico proposto e o perfil do médico a ser formado.
No Brasil, esse perfil e as competências estão bem definidos, desde o final de 2001, nas Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina, promulgadas pela Câmara de Ensino Superior do Conselho Nacional de Educação e homologadas pelo Ministério da Educação. O perfil do profissional proposto é de:
“Um médico, com formação generalista, humanista, crítica e reflexiva: capacitado a atuar, pautado em princípios éticos, no processo de saúde doença em seus diferentes níveis de atenção, com ações de promoção, prevenção, recuperação e reabilitação à saúde, na perspectiva da integralidade da assistência, com senso de responsabilidade social e compromisso com a cidadania, como promotor da saúde integral do ser humano.”
Ainda assim, as Instituições de Ensino Superior, formadoras de profissionais de saúde, têm apresentado dificuldades para a completa execução desse perfil, pois suas características de gestão e de infraestrutura privilegiam:
• o ministrar de conteúdos fragmentados em disciplinas isoladas;
• a formação em ciências biomédicas nos primeiros anos dos cursos, especialmente anatomia, fisiologia, bioquímica, biofísica, histologia, microbiologia, farmacologia, completamente divorciadas da clínica e ministradas de modo estanque;
• a pouca ênfase nos aspectos de prevenção e promoção da saúde;
• a concentração no modelo de atenção médica individual;
• o predomínio da aprendizagem no ambiente hospitalar, perpetuando o modelo tradicional de formação especializada;
• o isolamento da Universidade em relação aos serviços de saúde e o comunidade, desenvolvendo inúmeras vezes nos estudantes uma ausência de compromisso ético e social com os usuários do sistema de saúde;
• a desconsideração do ambiente de trabalho como um princípio pedagógico.
Esses problemas que circunscrevem o ensino e os serviços têm comprometido a qualidade e a eficácia do processo de ensino e aprendizagem, trazendo, como conseqüência, um nível precário de aquisição dos conhecimentos, habilidades e atitudes por parte do aluno, e um comprometimento de seu desempenho como profissional dentro de sua realidade de trabalho.
A necessidade de transformação das práticas de saúde demanda o redirecionamento da formação dos profissionais que atuarão na rede pública de assistência á saúde. É nesse sentido que se coloca a necessidade de uma formação que busque resgatar o exercício da prática profissional, de forma essencialmente ética, baseada na compreensão de que as condições de vida determinam a situação de saúde de uma determinada população.
As opções pedagógicas empregadas na formação de profissionais de saúde assumem função estratégica na medida em que podem contribuir para o direcionamento dos modelos e das práticas de saúde.
No processo de formação de profissionais em saúde e a transformação de suas práticas coloca-se como prioritária a problematização da prática profissional a partir de três elementos fundamentais: as condições de vida, os problemas de saúde doença e as respostas sociais organizadas, traduzidas em ações de saúde, operando com base em um modelo de atenção coletiva, com a integração de ações curativas e preventivas.
Os projetos educacionais inovadores devem ter como objeto de transformação o processo de trabalho, orientado para a melhoria da qualidade dos serviços e para a equidade no cuidado. Nesta estratégia o processo de trabalho é o eixo central da aprendizagem, eixo definidor e configurador de demandas educacionais (RIBEIRO & MOTA, 1996).
Assim, a nova prática propõe-se a responder aos problemas de saúde através de uma ação integral sobre os diferentes momentos ou dimensões do processo saúde-doença, atuando, dessa forma sobre os danos (agravos, doenças, acidentes), os riscos (fatores individuais, coletivos e socioambientais) e os determinantes (socioestruturais) desse processo (PAIM & TEIXEIRA, 1992).
A EXECUÇÃO DO MODELO PEDAGÓGICO:
O modelo pedagógico da ACI Relação Médica está fundamentado nos princípios da pedagogia interativa, de natureza iminentemente plural, utilizando a metodologia de atividades em grupos, tanto para discussão como autoestudo. As atividades práticas e o treinamento de habilidades e atitudes serão executados, sempre que possível, em cenários reais dos serviços de saúde. Este modelo visa desenvolver no aluno a capacidade de trabalhar em equipe, a desenvolver a prática do autoestudo, frequentar de modo mais constante os locais de atividades em saúde, interagindo com profissionais, professores, colegas e usuários em busca de informações. O aluno deve dinamizar seu método de estudo, elegendo as bibliotecas como extensão habitual de suas atividades acadêmicas e um dos pilares de sua formação profissional.
As atividades teóricas na ACI Relação Médica são de modo proposital mais restritas e têm, por finalidade, contribuir para a sistematização de conteúdos e indicação de meios para ajudar a análise das situações problemas abordadas. O objetivo da ACI Relação Médica é promover o desenvolvimento de atributos nos estudantes do 1º ano da Faculdade de Medicina para atuarem em equipe, no cuidado à saúde (individual, familiar e coletiva) e nos processos de educação em saúde visando à melhoria da saúde e ao bem estar dos indivíduos, de suas famílias e da comunidade. Assim, os cenários de atuação da ACI serão as unidades básicas da Estratégia de Saúde da Família (PSF).
A interação do ensino com os serviços de saúde privilegiará o enfoque biológico, social e bioético. O processo educacional estará centrado no trabalho das equipes de saúde da família. No processo educacional serão utilizadas metodologias ativas/interativas de ensino e aprendizagem que propondo desafios concretos a serem superados possibilitarão aos acadêmicos a resolução de problemas e a construção do conhecimento baseado nos conhecimentos e experiências prévias.
Se a metodologia de ensino busca a apresentação da realidade social e profissional, a avaliação do desempenho do aluno não pode ser feita, exclusivamente, à moda tradicional. A avaliação, para atingir sua finalidade educativa, deve ser coerente com os princípios psicopedagógicos e sociais do processo de ensino-aprendizagem adotados. O currículo do Curso de Medicina almeja a formação integral do aluno, privilegiando tanto a aquisição de conhecimentos como o desenvolvimento de atitudes e habilidades. Portanto, a avaliação será formativa e somadora na ACI Relação Médica. A avaliação formativa visa acompanhar o processo de aprendizagem do aluno através da execução de tarefas, trabalhos, ensaios, reconhecimento do desenvolvimento de atitudes e aquisição de habilidades definidas, correspondendo a 40% da avaliação. Saliente-se, a ausência às atividades de problematização corresponde à perda de 0,25 pontos por infrequência na avaliação formativa final e perda de 0,2 pontos por infrequência às atividades práticas. A avaliação somadora visa identificar a aprendizagem efetivamente ocorrida ao longo da disciplina, especialmente no método PBL, devendo ser cognitiva através de três provas escritas, em maio, setembro e novembro correspondendo aos outros 60% da avaliação final. Finalmente, deve ser assinalada, de acordo com a legislação vigente, a frequência às atividades é, pelo menos, de 75%. A frequência inferior a 75% é motivo de reprovação.
A ACI RELAÇÃO MÉDICA:
Lotação: Área de Introdução à Medicina
Características:
• Carga horária: 180h
• Créditos: 12
• Sistema de Avaliação: II
Responsável pela ACI: Prof. José Carlos Henrique Duarte dos Santos
Tutores:
• Prof. José Carlos Henrique Duarte dos Santos
• Prof. Raúl Andrés Mendoza Sassi
• Prof. Tarso Pereira Teixeira
Consultores:
• Profª. Isabel Cristina Oliveira Netto
• Prof. Romeu Selistre
Corpo Docente de aulas teóricas:
• Prof. Fábio Lopes
• Prof. Hélio Martinez Balaguez
• Profa. Isabel Cristina Oliveira Netto
• Prof. José Carlos Henrique Duarte dos Santos
• Prof. Lino Zanatta
• Prof. Marcos Sá
• Prof. Nildo D`Ávila
• Prof. Raúl Andrés Mendoza Sassi
• Prof. Tarso Pereira Teixeira
Participantes:
• Equipes de Saúde da Família da Prefeitura Municipal do Rio Grande
• Posto Castelo Branco
• Posto Santa Rosa
• Posto São João
• Posto CAIC
Apoio e Financiamento:
• Pró-Saúde / Ministério da Saúde / Organização Pan-americana da Saúde
Objetivos da ACI Relação Médica:
Estimular os alunos a pensar o homem como ser global, biopsicosocial, evitando a dissociação corpo e mente.
Desenvolver a atitude médica, isto é a postura individual do médico no exercício de sua profissão, que depende de sua formação ética, humanística e psicológica. É a base para capacitar o futuro profissional a desenvolver adequado relacionamento médico paciente.
Começar a desenvolver, gradualmente, habilidades clínicas, isto é, vivenciar experiências da prática médica para começar a incorporar as técnicas semiológicas e de procedimentos médicos. É fundamental o aprendizado da capacidade de análise crítica dos procedimentos vivenciados.
Incorporar a convicção sobre a transitoriedade de conhecimentos teóricos e técnicos da ciência médica atual.
Desenvolver capacidade de comunicação verbal adequada com os pacientes, familiares e comunidade.
Metodologia didática:
as atividades práticas serão executados em grupos;
os cenários das atividades práticas serão as Unidades Básicas da Estratégia de Saúde da Família (UBSF) permitindo a inserção precoce do aluno no sistema de atenção à saúde;
a teorização da prática, em grupos, será executada através do método PBL, (em português, ABP – Aprendizagem Baseado em Problemas) com escolha entre os alunos de um coordenador e um relator para desenvolver a habilidade liderança, sempre acompanhado pelo tutor;
as aulas teóricas, expositivas, para toda a turma, serão realizadas uma vez por semana.
Papel do Coordenador no PBL:
1. orientar o grupo na discussão, favorecendo a participação de todos;
2. manter o foco da discussão no assunto proposto;
3. evitar a monopolização ou polarização das discussões entre poucos membros do grupo;
4. apoiar as atividades do relator;
5. respeitar posições individuais e garantir que estas sejam discutidas pelo grupo com seriedade, e que, tenham representação nos objetivos de aprendizagem, sempre que o grupo não conseguir refutá-las adequadamente;
6. resumir as discussões, junto com o relator, para definir a posição do grupo.
Papel do Relator no PBL:
1. deve anotar de forma legível, compreensível e fiel o resultado das discussões do grupo;
2. deve ser claro e conciso em suas anotações e, se for necessário, solicitar auxílio dos membros do grupo;
3. deve respeitar as opiniões do grupo, evitando privilegiar suas próprias opiniões ou aquelas com as quais concorde;
4. deve anotar com rigor os objetivos de aprendizagem apontados pelo grupo;
5. deve anotar as discussões e conclusões na sessão de fechamento e classificá-las segundo os objetivos de aprendizagem anteriormente apontados.
Conteúdos:
• Unidade 1 – Apresentação da disciplina, sua relação no contexto curricular.
• Unidade 2 – O aspecto transdisciplinar da saúde. As principais causas de incapacidades.
• Unidade 3 – As demandas do ato médico. A ética como valor transcendente. A relação médico-paciente. A relação médico-sociedade.
• Unidade 4 - Normas de biossegurança: utilização dos equipamentos básicos de proteção individual e coletiva; descarte de resíduos químicos, amostras biológicas, material hospitalar contaminado e material pérfuro-cortante; condutas perante acidentes com material químico ou biológico.
• Unidade 5 – O indivíduo, a organização familiar, a sociedade, a cultura e a enfermidade.
• Unidade 6 – O comportamento e a enfermidade.
• Unidade 7 – A Medicina e a tecnologia. Os grandes avanços da Medicina. A dimensão econômica, política, educacional e ética na saúde. As incapacidades e práticas educativas em saúde.
• Unidade 8 – Suporte básico de vida.
O treinamento de habilidades é um programa educativo estruturado longitudinalmente, que visa desenvolver as habilidades necessárias para o exercício adequado da Medicina. Portanto, será realizado ao longo do Curso, mas começando na ACI Relação Médica, e pretende capacitar o futuro médico para uma atuação eficiente e eficaz de promover a saúde, prevenir e tratar as doenças e de reabilitar os incapacitados, com uma visão científica, humanística e ética.
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